- A corretiva não é a opção pobre: em troços de baixa criticidade minimiza o custo total.
- Tudo depende do tempo de reposição (MTTR): equipas, viaturas e materiais prontos.
- Sem capacidade de resposta, a corretiva deixa de ser uma escolha e passa a ser exposição a risco.
- A segmentação do traçado por criticidade evita sobreinvestir e evita expor o que não devia estar exposto.
Nem todos os troços de uma rede merecem um programa de inspeção. Este artigo trata do outro lado da decisão: onde a manutenção corretiva é a escolha economicamente certa, e qual é a condição sem a qual deixa de o ser.
Quando a corretiva é a opção racional
A manutenção preventiva não é universalmente superior. Em troços de baixa criticidade, com SLA folgado e baixo custo de indisponibilidade, o investimento em inspeção programada pode não compensar. Nesses casos, uma estratégia essencialmente corretiva minimiza o custo total — desde que a capacidade de resposta esteja garantida.
O fator determinante é o tempo de reposição (MTTR). Uma organização com equipas, viaturas e materiais prontos consegue reparar avarias com rapidez suficiente para que o impacto de uma abordagem corretiva se mantenha aceitável. Sem essa capacidade de resposta, a corretiva deixa de ser uma escolha racional e passa a ser exposição a risco.
A corretiva só é uma decisão quando existe capacidade de resposta. Sem ela, é apenas o nome que se dá a esperar pela avaria.
Um enquadramento prático de decisão
Na prática, as redes segmentam o traçado por criticidade:
- Troços críticos (backbone, ligações a nós importantes, clientes com SLA exigente): preventiva com medição periódica e, quando se justifica, monitorização contínua.
- Troços intermédios: inspeção preventiva com menor frequência, orientada por histórico e por fatores de exposição.
- Troços de baixa criticidade: abordagem corretiva, sustentada por capacidade de resposta rápida.
Esta segmentação evita dois erros simétricos: sobreinvestir em preventiva onde não compensa e expor a corretiva troços cuja falha tem custo elevado.
Conclusão
Preventiva e corretiva não são alternativas mutuamente exclusivas, mas ferramentas para segmentos diferentes da mesma rede. A decisão assenta em indicadores mensuráveis — disponibilidade contratada, custo da indisponibilidade, criticidade do troço e capacidade de resposta — e não em preferências genéricas.
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